Você sabe o que é catarata?

Antes de conhecer a história da cirurgia de catarata é preciso entender melhor esta doença. O olho humano pode ser comparado a uma sofisticada máquina fotográfica, composta por delicadas peças. Dentre estas peças está o cristalino, uma lente transparente que permite a passagem de luz até a retina. É na retina que as imagens são formadas e transmitidas ao cérebro.

Quando o cristalino “adoece”, perde sua transparência tornando-se opaco e impedindo a chegada de luz à retina. Sem luminosidade as imagens não se formam adequadamente. Este processo prejudica a qualidade da visão e pode causar cegueira.

Durante muitos anos os portadores de catarata não tinham esperança de voltar a enxergar. Felizmente, o mundo moderno pôde conhecer a cura para uma das doenças oftalmológicas mais freqüentes do planeta. E a visão embaçada causada pela catarata cedeu lugar a nitidez tecnológica de lentes artificiais, projetadas para substituir o cristalino opaco.

Assim, a cegueira causada pela catarata tornou-se reversível. Ou seja, por meio de um procedimento cirúrgico é possível que o portador desta doença volte a enxergar. Apesar disso, a catarata ainda é a maior causa de cegueira no mundo, estando presente em 17% das pessoas com idade entre 55 e 65 anos; 47% do grupo entre 65 e 74 anos e em 73% dos que estão acima dos 75 anos.

No Brasil, até a década de 60 não havia uma mobilização especifica do Governo para o tratamento cirúrgico da catarata. As operações eram feitas no sistema público de acordo com a demanda e a infra-estrutura dos hospitais, o paciente esperava em média um ano para a realização da cirurgia. De acordo com o Ministério da Saúde, em 1966, eram feitos cerca de 60 mil procedimentos ao ano. Número muito inferior aos índices dos EUA e de países da Europa na mesma época.

No final dos anos 80, um convênio do Instituto Nacional de Olhos dos EUA com a Fundação Hellen Keller e autoridades brasileiras deu início ao primeiro programa que traçou detalhadamente os obstáculos inerentes a este tipo de atendimento público. As pesquisas foram realizadas em Campinas (SP) e revelaram que 55% da população com cegueira decorrente da catarata não tinha acesso a cirurgia. Eram necessárias até 15 visitas ao hospital, para conseguir realizar a operação. Embora o procedimento no Hospital das Clínicas da Unicamp fosse gratuito, os custos de transporte nestas consultas e a necessidade de ter um acompanhante dificultavam e, muitas vezes, impediam o tratamento.

Após a análise desses dados surgiu o projeto Zona Livre de Catarata que tinha como principal objetivo definir estratégias facilitadoras do acesso do paciente ao Hospital, em dia específico e com atendimento imediato.

O projeto da Unicamp alcançou o objetivo de atender uma demanda reprimida e se espalhou pelos quatro cantos do Brasil, contando com o apoio do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e de seus membros, e servindo de exemplo até mesmo para outros países da América Latina. Em 1996, o programa atingia cerca de 151 cidades, beneficiando milhares de brasileiros. Dois anos mais tarde, os investimentos do Governo Federal aumentaram e, a cada ano, mais de 200 mil pessoas foram submetidas à cirurgia de catarata.

Apesar da popularização desta cirurgia é preciso lembrar que o procedimento para tratamento da catarata é uma técnica muito complexa que exige extremo domínio do especialista e consiste na remoção e substituição do cristalino opaco por uma lente intra-ocular.

Embora seja mais comum na terceira idade, a catarata pode surgir em qualquer fase da vida sendo causada, por exemplo, pelo uso inadequado de remédios ou como consequencia de processos infecciosos intra-uterinos fazendo com que o cristalino seja opaco desde o nascimento.